Mercado de trabalho em Santa Maria

Saldo de empregos

O relatório, utilizando dados do CAGED, analisa o comportamento do mercado de trabalho formal em Santa Maria e compara os resultados com outras cidades no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A população de Santa Maria normalmente só tem acesso a estatísticas agregadas sobre o mercado de trabalho – como a taxa de desemprego para o Brasil. Esse relatório, portanto, expande essas informações apresentando dados de interesse regional. A abrangência do período, entre janeiro de 2007 e dezembro de 2018, se dá pela existência de duas crises (em 2008 e 2015) que tiveram impacto significativo no aumento do desemprego brasileiro.

O primeiro gráfico, com o saldo de empregos formais, mostra claramente que a crise de 2015 teve um impacto maior na economia brasileira do que a crise de 2008. O saldo mede a diferença entre trabalhado-res admitidos e desligados, o que inclui desligamento a pedido do trabalhador e aposentadorias. No entan-to, a maior parte da variação no saldo ocorreu por demissões com e sem justa causa.

Em Santa Maria, o saldo fica negativo em junho de 2014 e só volta a ficar positivo em setembro de 2016. No entanto, percebe-se que a cidade teve comportamento semelhante ao de outras localidades no Rio Grande do Sul.

saldo com ajuste sazonal: forma de demonstrar a tendência da série retirando variações de curto prazo. Como exemplo, o mês de dezembro historicamente apresenta saldo de demissões maior que de admissões em todo o país.

Período da crise

A tabela abaixo mede a duração da crise em Santa Maria e compara a situação da cidade com outros municípios com características semelhantes (como população). Percebe-se que Santa Maria não possuiu comportamento distinto das outras cidades. O início da crise ocorreu com uma diferença de poucos meses (o que não é significativo) e a duração da crise, medida pela sequência ininterrupta de meses com saldo negativo de empregos formais, foi semelhante às cidades de Passo Fundo e Chapecó.

Cidade Início da crise Duração (meses) Emprego (acumulado)
Santa Maria 06/2014 27 -2.325
Passo Fundo 11/2014 27 -2.426
Pelotas 01/2015 41 -4.837
Caxias 12/2013 44 -27.337
Chapecó 01/2015 24 -3.820

A última coluna da tabela apresenta a soma dos em-pregos perdidos ao longo da crise. Como o mercado de trabalho formal de Santa Maria possui aproxima-damente 96 mil pessoas, o período da crise apresentou um aumento acumulado de 2,4% no nível de desemprego com carteira assinada. É importante lembrar que o aumento do desemprego certamente foi maior no mercado de trabalho sem carteira assinada, que é mais sensível a momentos de crise.

O maior número de empregos perdidos em Caxias está parcialmente relacionado ao fechamento de uma importante fábrica de carrocerias para ônibus. Isso resultou não apenas na demissão de diversos funcionários, como também impactou empresas que presta-vam serviço para a indústria.

Salários

O segundo gráfico apresenta a mediana* dos salários reais (levando em conta a inflação) dos trabalhadores que foram admitidos entre 2007 e 2018. Como a legislação trabalhista brasileira restringe a diminuição do salário nominal dos trabalhadores, o objetivo de apre-sentar os salários no momento inicial do emprego é comparar as oportunidades de trabalho em Santa Maria com outras cidades.

Mediana: representa os rendimentos da pessoa que está exatamente no meio da distribuição de renda. É uma medida mais representativa porque a média dos salários é facilmente distorcida se alguns trabalhadores ganham salários muito altos.

O gráfico mostra que Santa Maria possui, em média, salários mais baixos que as outras cidades apresentadas. No entanto, até o ano de 2013, a mediana dos salários no município era maior que em Pelotas. Isso apresenta a necessidade de se compreender, em trabalhos futuros, o que causou a estagnação nos salários de Santa Maria.

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Thales Zamberlan Pereira
Assistant Professor of Economics